quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A ditadura da felicidade

Do Pinterest. @GorrGam Wirabutra

Hoje olhei meus pensamentos. Encarei no fundo dos olhos dos meus sentimentos. E questionei:

de onde vem tanta irritação? o que tem atrapalhado tanto os meus dias? por que tenho visto tudo sem cor? o que me tira a paz?
A resposta me assustou.

Não eram as perguntas que me atrapalhavam, não era a sensação de estar perdida que me irritava. Não era.

O que me deixava mal era a necessidade e a cobrança de me sentir bem. Se é que mais alguém consegue ver sentido nesse frase.

Mas por que eu preciso estar sempre bem? Feliz? Super animada com a vida e satisfeita sempre?

Porque algum dia eu acreditei que esse padrão devia existir em mim. Assim como já acreditei que eu devia ser extrovertida, ter fala fácil e fazer amigos como quem abre um livro.

Hoje vi o quanto essa auto-exigência me fez mal. E mesmo já lendo vários textos sobre isso há tempos, foi hoje que a ficha, de fato, caiu.

Não estou dizendo que devamos aceitar a tristeza e a introspecção crônica (ou talvez, devamos. quem sou eu para dizer que não também?).

Mas eu sou mulher. Sou fêmea. E como tal, vivo em fases, em um ritmo próprio e hoje, agora, eu preciso disso. Preciso! Assim como acredito que um organismo precisa de uma febre para melhorar. Como as flores precisam do inverno para florescerem na primavera.

Tentei fugir desse ciclo, e o que aconteceu foi que fiquei ainda mais perdida. Forçava ficar bem e conseguia por alguns instantes, mas logo caia. Uma montanha russa que eu criei, por medo de aceitar a melancolia, a introspecção.

A verdade é que nem nome sei dar para esses sentimentos. Mas tudo bem, porque agora vou aceitá-los, observá-los e ai, vou conhecê-los, nomeá-los (se achar necessário) e descobrir o que me trazem de aprendizagem, o que querem me mostrar.

Oficialmente em período de hibernação. Silêncios e suspiros longos  me esperam.

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