quarta-feira, 27 de junho de 2012

Cólica - nosso útero pedindo atenção.

Sangue em arte. Pintura feita com sangue menstrual da artista Vanessa Tiegs.


Minhas cólicas não costumavam ser fortes, muitas vezes nem chegava a ser dor, só uma sensibilidade maior no útero, como se ele dissesse: "Ei, estou aqui! Olhe para mim, me perceba".
Toda dor é um pedido de atenção que o corpo nos dá, um alerta que costumamos ignorar.
Vem a dor de cabeça gritando que a mente anda sobrecarregada, um analgésico encobre o aviso. A gripe vem pedir repouso para o corpo se equilibrar, alopatia não falta para sumir com a moleza. E assim vamos ignorando nosso corpo, e esse vai aprendendo a gritar. Uma dor de cabeça mais forte, uma gripe mais pesada, talvez uma pneumonia, nós respondemos com remédios mais fortes.
Se identificou? Está ouvindo seu corpo? Se não ouvir, o ciclo continua até que o corpo cansa, se irrita, grita alto e fala sério, muito sério. É quando amaldiçoamos a vida e o universo: Por que foi acontecer comigo?
Mas voltemos as cólicas e aos úteros.
A menstruação é o fim de um ciclo que se inicia na ovulação. O sangue mensal é uma espécie de morte, o corpo se limpando antes do início do próximo ciclo. É a lua minguante que chega logo após a cheia e precede a crescente.
E a cólica vem para nos lembrar disso, que nosso corpo está ocupado nessa limpeza, nessa reciclagem. Vem pedir uma desacelarada no ritmo diário, um olhar mais atento para o nosso interior. É hora de pensar no que precisamos deixar ir embora? Refletir sobre a nossa força rubra, nosso feminino, nossa sexualidade.
Quando não fazemos essa pausa e não olhamos para dentro, a cólica vai ficando mais forte, traz os distúrbios também, a tal da tensão (TPM). Às vezes, ignoramos tanto esse aviso que o corpo se rebela, traz uma cólica aguda que nos obriga a ficar na cama, por quê? Ora, se você não pára, se não responde ao corpo, ele te obriga a isso, te coloca na cama e te faz parar.
Mas como parar com esse mundo louco? Tem trabalho, estudos, casa, namorado, vida social...ufa! Calma que ninguém precisa se isolar e parar com tudo para responder ao corpo (só se você achar que é o que precisa e gostar disso). Veja algumas formas de sossegar e ouvir o corpo, você pode aplicá-las por alguns minutos por dia.

1. Perminta-se sentir a dor. Onde dói? Como dói?

Ao invés de fugir da cólica se entregue a ela, esqueça um pouco dos remédios e se permita sentir. Não, não é para se torturar e sentir dor a toa, mas quem sabe se você parar e sentir a cólica por 15 minutos ela não fica assim, tão dolorida?
Sinta sem pensar muito, só se concentre na dor. Se for mais fácil, tente definir: são pontadas que vem e vão? É uma dor constante? Mas é interessante tentar ultrapassar o racional e definições são racionais.
Não, não é simples. Fomos ensinados a ignorar a dor, a esquecê-la, a driblá-la. Mas tente por alguns minutos.

PS:  Se não quiser (ou não puder) largar o remédio tente fazer isso enquanto espera ele fazer efeito.




2. Ouça seu corpo. O que ele quer?

Você sentiu a dor, se concentrou nela e isso já atraiu sua atenção para o corpo. Agora tente ouvir o que ele te diz. A dor continua forte e incômoda? O que será que ele precisa para aliviar essa dor?
Pode ser deitar um pouco ou quem sabe um exercício leve. Pode ser que você precise alongar um pouco, colocar as pernas para cima, ficar de cócoras. São tantas possibilidades, explore e deixe fluir. Seu corpo sabe.
Talvez uma compressa morninha de camomila ou uma bebida quente, um chá, por exemplo. Um banho morno também pode ajudar.
Cada uma tem suas necessidades e preferências. Algumas preferem se isolar, outras o aconchego de alguém especial. Por que não pergunta para outras mulheres como elas lidam com isso? Pode ajudar a ter ideias. Por aqui a solução é dançar.

3. Ouça sua mente. O que passa por ela nesse período?

Muitas só pensam em como é horrível menstruar e que odeiam ser mulheres nesses dias. Mas isso é só a casca, temos que ir além disso. Por que você odeia tanto menstruar? O que você está evitando pensar ou enxergar? Por que teme sua feminilidade? O que não quer deixar morrer?
Olhe para dentro, observe seus pensamentos. Cada um faz isso do seu jeito, algumas meditam, outras dançam, outras só pensam.


4. Conecte-se com seu sangue, com seu útero, com seu corpo.

Você já viu seu sangue? Já cheirou? Tem nojo? Não será um reflexo de como encara ser mulher e sua sexualidade?
Um bom jeito de fazer isso são os coletores menstruais. Esqueça os preconceitos, o sangue é nojento e mal cheiroso só no absorvente. Aliás, se pensarmos que no absorvente ele fica em contato com a pele e ar e se enche de bactérias que dentro do corpo não tem, os coletores são mais higiênicos e mais ecológicos. Já pensou quanto de absorventes já mandamos para o lixo até hoje? Pois é.
Há até quem faça arte com seu próprio sangue! Vanessa Tiegs usou o sangue menstrual como tinta, confira.

5. Conecte-se com a Lua
A lua não rege só os mares, mas também nossos corpos. Sabia que os bebês costumam nascer na virada da lua? Principalmente quando é a lua cheia apontando no céu. Com a menstruação não é diferente, observe em que fase da lua seu sangue vem.

Não desista na primeira vez.
Depois de tanto tempo ignorando nosso corpo e nossa essência não é fácil voltar a falar com ela. É como um amigo de infância que há muito não vemos. A conversa nem sempre flui como antes logo de cara, é preciso insistir, se religar. Repita por mais de um ciclo.

Leituras sobre o assunto.
Para quem gosta de ler uma boa dica é procurar sobre a menstruação. Desde a explicação biológica até a sociológica. Ou quem sabe um bom romance de mulheres que sangram? Algumas sugestões:

Rubra força: fluxos do poder feminino - Monica von Koss
A Tenda Vermelha - Anita Diamant  (No Mulher Verde há uma boa prévia do livro)
Vermelho Escarlate por Silva Badim

E que o sangue sagrado que flui de nossos ventres seja mais respeitado!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

No meu bolso

Um dia eu virei mãe e a vida virou de cabeça para baixo. A casa tornou-se campo de guerra, o guarda roupa um buraco negro, meu peito um quebra cabeças, minha alma se dividiu e minha cabeça se fundiu. E o coração? Desse é melhor nem falar...
O caos tomou conta de tudo. Me vi despedaçada e desordenada.
Mesmo sendo virginiana nunca fui do tipo organizada, talvez fosse no trabalho, mas nas outras área a Lua em Aquário falava mais alto. Mas até então era uma bagunça organizada, eu conseguia pensar, conseguia viver, minhas listas resolviam os problemas.
Quando vi aquele ser lindo precisando me mim e tanta desordem em volta, percebi que a organização seria essencial para mim e para ele. Era hora do meu lado virginiano falar mais alto.
Foi assim que comecei a ler sobre o assunto, comecei por aqui. Absorvi muito, encontrei possibilidades, mas foi só quando cheguei aqui é que encontrei a solução real: para organizar era preciso minimizar. Só tendo menos coisas, leia-se ter apenas o útil, eu conseguiria organizar tudo.
O estilo de vida minimalista fez muito sentido para mim. O desapego era o que eu precisava, desapego de coisas, de idéias, de sentimentos, de pessoas...
Foi jogando tudo o que eu não precisava fora que as coisas começaram a melhorar, fiquei mais leve, comecei a pensar melhor, a enxergar melhor o que restava por trás de tanta bagunça.
E cheguei a outro ponto: cuidar.
Percebi que faltava cuidado, essa era origem de tanta bagunça, do lado de fora e do de dentro.
Falta de cuidado comigo mesmo, que se estendia para minhas roupas, pertences, ambientes e saúde. E se eu não mudasse, se estenderia para meu filho.
E foi assim dessas necessidades todas que surgiu a vontade de escrever sobre essa caminhada e esse blog, ainda há muito por fazer. Vem comigo!